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Opinião: “Um Orçamento de Estado… ou a literacia política”

28 de às 11h00
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Dei comigo a pensar que não sei se o povo português não tem suficiente literacia política ou se, porventura, já não quer saber do que lhe dizem, numa desilusão apática que todos os dias os actores políticos lhe transmitem, estes sim, por falta de literacia política que mascaram de sobranceria e sobejo empertigamento, quando lhes falta competência, transparência, humildade.
E, se é certo que os 48 anos de Estado Novo não nos tirou da cauda da Europa no que respeita a níveis de analfabetismo e literacia, em 47 anos de regime democrático Portugal melhorou muito significativamente em termos de analfabetismo (hoje quase apenas é referenciado para as classes etárias mais altas), mas, em termos de literacia social e política, praticamente nada evoluiu quando comparado com os outros países da Europa, podendo dizer-se que só a partir de 2014 é que ultrapassou a Itália. Isto é de tal maneira evidente que bastaria referir a tão elevada taxa de abstenção que se verifica em todas as Eleições. Mas é também evidente quando, e não raras vezes, constatamos que eleitores pouco informados votam em forças políticas que defendem exactamente princípios e interesses contrários às suas posições ideológicas ou de princípios morais. Ora, uma democracia só funciona se houver sintonia entre um partido político e a posição em que ele se encontra para ser capaz de explicar ao povo eleitor o que defende ou o que pretende, mas de uma forma que ele, povo, o entenda, sem que isso dependa da sua maior ou menor literacia política. Se assim não for, ou é a abstenção, é o “são todos iguais”,, “nem vale a pena lá ir”, ou o voto é direccionado por populismos temporais, ou por “fake-news” apregoadas nas campanhas eleitorais, muitas vezes longe do pensamento ou dos princípios que geralmente defende.
A dicotomia esquerda/direita assumiu já posições tão ambíguas que já nem se sabe bem o que isso é. E os tempos difíceis que atravessamos e os que se aproximam (talvez ainda mais difíceis) exigem uma transparência que todos apregoam e poucos praticam e não chega dizer que o lema são as contas certas com orçamentos rigorosos.
Cada cidadão tem de perceber, com linguagem clara e séria, a razão da subida de sete euros de um combustível numa determinada semana e um euro de descida na semana seguinte. Tem de perceber como é que a inflacção é de 7 ou 8 %, quando ele compra as coisas mais caras 15%, 20% ou mais ainda. Tem de perceber porque é que este mês lhe deram mais 125,00€ ou 50% da pensão de reforma (mas, como é para receber, é sempre bem vindo) e lhe não fixaram um determinado aumento mensal.
O Estado não pode falar em “Orçamento” para o cidadão normal como se ele fosse ler ou tivesse lido esse tal “Orçamento de Estado”, quando a ele não lhe é conferida essa literacia! Competiria ao Estado não falar apenas para os deputados, para os politólogos, etc.,, mas dar explicações sobre os investimentos (quanto, distribuído como, finalidade, etc.) previstos para os vários sectores: Educação, Saúde, Sector Energético, Sector Agrícola, etc., etc.. É que a pandemia e a guerra da Ucrânia geraram e continuam a gerar instabilidade, mas, neste momento, muitas famílias já não conseguem responder às suas necessidades básicas!
Encoraja-se o aumento da natalidade?! Encoraja-se o investimento?! Mas com que meios? Quais as atitudes eficientes que se propõem ou devem ser adoptadas? Que percurso inspirador podem ter as famílias que lutam para investir, mas não têm ou não conseguem recursos em virtude da exagerada carga fiscal de que não conseguem libertar-se?!
Depois, gera-se o descontentamento!… Geram-se “populismos”!… Mas a verdade é que “o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”, disse-o Oscar Wilde!…

Pode ler a opinião na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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