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Opinião: Um Partido, um Reino e uma influencer aos olhos do Ministério Público

23 de às 13h25
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Rui Rio é que tem razão: parece que somos todos corruptos, que todos cometemos crimes, que é tudo uma seita. Em directo na televisão, em directo no Instagram, em directo nos jornais, o Ministério Público, neste quente mês de Julho, desdobra-se em acções. Acções estas muito diferentes entre si, consoante a importância dada às situações.
Num caso em investigação há mais de 3 anos, decidiram-se buscas na sede do PSD e habitação de Rui Rio, num total de 5 sedes partidárias e 14 domicílios, e foram mobilizados meios de “mega operação”, mais de 100 inspectores, para além de peritos informáticos e financeiros, para além da televisão em directo. O Ministério Público, na sua página on-line, nem sequer refere a existência de arguidos no processo.
Na televisão, ouvimos que o Ministério Público considera ter fortes indícios da prática de crimes no exercício de cargos políticos, alegadamente através daquilo que chamam de pagamento de ordenados a funcionários do PSD com verbas da Assembleia da República. O crime, supostamente, estará no fim dado a essas verbas destinadas a pagar cargos de assessoria dos grupos parlamentares, facto que todos os partidos democráticos já negaram enquanto actuação ilícita, excepto o Chega e a IL. A PGR recebeu uma carta do PSD e “virou a cara”, não tem o que ver com isso.
Na mesma altura, é notícia a existência do Reino do Pineal, um grupo que se instalou em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, que está em investigação porque morreu um bebé de 14 meses no seio dessa comunidade, sem que os pais tenham disso dado conta às autoridades, e sem registo da morte. Em face da obscuridade, a autarquia apresentou uma queixa à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Apesar de só existirem dúvidas, são classificados como seita, sociedade patriarcal, tudo num sentido depreciativo, mas sem qualquer suporte de investigação ou acusação formal. Os responsáveis do grupo escreveram às redacções, salientando o facto de não terem sido acusados de violar qualquer lei e de apenas pretenderem viver em paz, que não são políticos, mas sim “nómadas viajantes com uma vocação espiritual”, sentindo-se gratos pelo acolhimento que lhes foi dado em Oliveira do Hospital.
Em directo, mas agora no Instagram, uma influencer regozija-se com o facto de ter resolvido as birras da filha de 3 anos de idade, que já só “tinha manhas”, submergindo-a em água fria até ao pescoço. O teste foi feito com sucesso na piscina e, depois disso, desconhece-se por quantas vezes, em outras situações em casa, na banheira, incluindo a meio da noite como meio de resolver terrores nocturnos que provocavam choro.
A actuação do Ministério Público, nestes dois casos que envolvem menores, não determinou, que se saiba, o envio de um único inspector, quanto mais 100. Apesar de ser ter ouvido falar em crimes contra crianças, só se ouviram conferências de imprensa dando conta da gravidade das situações e comunicados revelando a abertura de inquéritos. Ao menos algo disseram. Quanto à mobilização “contra” o PSD, nem uma palavra.
Mas verdade seja dita: este país só se parece mover pelos notáveis. As crianças hão-de esperar até à maioridade antes que um inspector se decida fazer alguma investigação séria? O que este Ministério Público diz de nós enquanto país? Diz o que somos: preocupados com o dinheiro, até ao cêntimo, principalmente se os políticos andarem a digladiar-se entre si, usando a máquina da justiça, para se apanharem uns aos outros com o pé em ramo verde.
Já as nossas crianças mais parecem filhos de um Ministério Público menor, de um Ministério da Justiça menor, de um Governo menor, de Partidos Políticos menores e de um exercício da cidadania menor. Deixamos muito a desejar. Enquanto “crescemos”, a única televisão sem filtros é a ARtv, agora com mais debates sobre a Nação para serem emitidas.

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