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Opinião: Um território a esvaziar-se

13 de às 13h35
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Na semana passada saíram os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População de 2021 (Censos 2021 ). As primeiras leituras que se podem fazer dos números divulgados são preocupantes para quem considera que Portugal não é apenas o conjunto das pessoas que se entendem como portuguesas mas também um determinado território, um espaço que, desde 1975, vai de Trás os Montes ao Algarve, do Minho ao Alentejo, sem esquecer os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Os números dos Censos 2021 confirmam uma tendência que já é visível há algumas décadas mas que o conjunto dos discursos políticos sobre desenvolvimento regional, cheios de referências à defesa dos territórios de baixa densidade, não estão a ser suficientes para inverter: década após década, uma parte extensa do nosso interior continua a despovoar-se a taxas preocupantes. Do interior saem pessoas, saem jovens, saem empresas, sai atividade económica…
É verdade que, desta vez, até o número global de residentes em Portugal se reduziu face a 2011: olhando para o Continente, por exemplo, a população residente baixou de 10,047 para 9,855 Milhões, ligeiramente menos do que o número de 2001 (que era 9,869). O maior problema, porém, aparece quando olhamos para o território de forma desagregada. Senão vejamos alguns exemplos.
Em 20 anos apenas ( 2001-2021 ) a população desceu mais de 30% em 5 concelhos (Alcoutim, Torre de Moncorvo, Nisa, Gavião e Almeida) e desceu de 20 a 30% em 68 concelhos. Se olharmos para o local do Continente em que esses 73 concelhos se localizam ( 5 mais 68 ), uma coisa salta à vista: sem uma única exceção, todos se localizam no interior! Na lista dos que mais perdem população ( 2001-2021 ), o primeiro município do litoral aparece apenas no lugar 131 (de 287 municípios do Continente)…
Já agora, no outro extremo, aparecem com ganhos populacionais superiores a 30% apenas municípios da zona de Lisboa e do Algarve: os que crescem mais são Mafra (60% de aumento), Alcochete, Montijo, Albufeira, Sesimbra, Arruda dos Vinhos, Portimão e Lagos.
O que estes números querem dizer é muito simples: o país está a ficar mais pequeno e estamos a perder a capacidade de descobrir fatores de competitividade em muitos territórios, imprescindíveis para os impulsionar economicamente. A administração pública abandona o território, muitas empresas não conseguem lá aguentar-se e a população mais jovem sai e já não volta. Os que ficam são apenas alguns dos mais velhos, o que torna ainda mais sombrio o futuro destes lugares…
O Estado tem de fazer muito mais e muito melhor! O que estamos a fazer está a fazer-nos perder o País que temos… Ou mudamos depressa as políticas para a coesão de Portugal ou perdemos o País e empobrecemos irremediavelmente – estamos perante uma verdadeira emergência demográfica e temos de mudar de rumo, não chega continuarmos a fazer mais do mesmo que os resultados estão à vista!

A minha atividade na semana passada
A minha semana parlamentar começou com uma visita de trabalhos de dois dias que os deputados da 13ª Comissão (Comissão de Administração Pública, Ordenamento do Território e Poder Local) fizeram à Comunidade Intermunicipal de Terras de Trás os Montes. Os deputados ouviram, da parte dos responsáveis autárquicos e de outros atores locais, um grito de alerta para a desertificação de Trás-os-Montes que está em curso.

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