Opinião: Utilizar o Design Thinking como alavanca da mudança
A capacidade de inovar e encontrar soluções criativas é um dos aspetos mais determinantes no percurso de uma empresa. Sendo assim, não é surpresa que na maioria dos cargos que envolvem tomadas de decisão encontramos pessoas criativas e com raciocínio crítico. Uma das formas de estimular esta criatividade nas equipas/empresas passa por introduzir e estruturar processos de Design Thinking. Estamos a falar de um processo estruturado e não apenas de uma mera sessão de brainstorming ou discussão de ideias.
O Design Thinking é o termo utilizado para designar um conjunto de técnicas que possibilitam a organização de ideias de modo a estimular tomadas de decisão. O termo é cunhado num artigo em 2008 por Tim Brown e passou a ser utilizado por empresas de diversos setores como ferramenta individual ou utilizada em equipas, para gerar e organizar ideias, e acima de tudo para apoiar o processo de criação de novos produtos e serviços. Como resumo, podemos dizer que é uma disciplina que usa a sensibilidade e os métodos utilizados no design, para entender verdadeiramente as necessidades das pessoas e desenhar produtos e soluções que sejam viáveis quer do ponto de vista técnico, quer de negócio.
Como base tem 4 princípios-chave: Empatia, Colaboração, Inclusão e Iteração. Esta é a base da utilização de qualquer uma das ferramentas: entender que mais do que utilizar uma técnica particular, é crucial mudar a perspetiva com que olhamos para os problemas ou desafios que queremos resolver. É comum encontrarmos bloqueios nestes processos de inovação causados por ideias pré-concebidas ou crenças enraizadas sobre o que “os clientes querem”. No contexto atual de mudança acelerada, deve procurar incutir nas suas equipas uma atitude que Tim Brown define como “human-centered”. Este princípio defende que deveremos procurar entender profundamente os desejos, preocupações e ambições do nosso público-alvo, mais do que como potenciais clientes, mas sim como pessoas. Faço uso da famosa frase de Henry Ford: “If I had only asked people what they wanted, they would have said a faster horse”, para reforçar que empatia com o próximo é ir além das necessidades expressas e aprender sobre as necessidades latentes. É um processo onde convido o leitor a explorar as técnicas que pode utilizar para construir um processo estruturado de observação, imersão e entrevista.
Na prática, muitas empresas implementam o processo na sua globalidade, ao dividi-lo em 5 passos ou etapas: Empatia, Definição, Idealização, Prototipagem e Teste. Não podendo abordar a todas as etapas do processo, peço ao leitor que deixe levar pela curiosidade e explorar os muitos conteúdos disponíveis online. Estou certo que ao implementar algumas das ferramentas conseguirá algumas das mudanças que são críticas para o sucesso das empresas no contexto atual:
1 ) Criar uma cultura que incentiva a prototipagem e a experimentação: permitir que as equipas experimentem, falhem e aprendam num ambiente que incentiva a segurança psicológica
2 ) Gestão de produto focado no cliente: gerir um projeto ou o desenvolvimento de um novo produto, significa muito mais do que simplesmente cumprir os prazos e o orçamento. Os processos de empatia e teste ajudarão na criação desta cultura
3 ) Foco na gestão das pessoas e do talento: com a competição internacional por recursos, em particular na engenharia, o desafio atual para todas as organizações é como atrair e reter o talento. O papel da gestão é criar as condições internas que garantam estabilidade, liberdade criativa e bem-estar.
Aconselho que procure introduzir algumas destas ferramentas no dia-a-dia da sua empresa, encarando o contributo de todos como o princípio que permitirá maximizar o potencial criativo das equipas.
Está pronto para mudar a forma como encara a inovação em 2023?


