Opinião – Vão-se Qatar!
Os jogos olímpicos, em 2008, tiveram lugar em Pequim. A China não é propriamente um exemplo quando falamos de direitos humanos. A Rússia, em 2018, acolheu a última edição do mundial de futebol, não sendo igualmente um exemplo em termos democráticos. Poder-se-ia continuar com a descrição de grandes eventos, desportivos ou outros, que têm sido organizados em países com regimes pouco comprometidos com os valores democráticos e a defesa dos direitos humanos.
Respeito e compreendo, pois, todas as manifestações contra a edição atual do Mundial no Qatar, mas parecem-me tardias, nalguns casos demagógicas e quase todas pouco eficazes… Deveriam ter tido lugar quando aprovadas, anos antes, as candidaturas destes países à organização destes grandes eventos. Essa deveria ser condição “sine qua non” de admissibilidade: o respeito pelas liberdades e direitos fundamentais. Agora, vir defender que os chefes de estado ou de governo não se devem deslocar – como sempre fizeram em outros momentos – porque isso será legitimar o regime local e o desrespeito por valores fundamentais é manifestamente um exagero.
Por outro lado, o impacto efetivo de um potencial boicote estaria dependente das próprias federações e/ou dos atletas. Aí sim, se estes se recusassem a jogar estaríamos então perante um movimento incontornável e eficaz. Ora, é sabido que um mundial – assim como umas olimpíadas – é o momento mais alto e esperado da carreira desportiva e como tal não se esperam assomos de cidadania, humanismo ou outros.
Apesar de tudo, estou crente que haverá menos gente interessada em acompanhar este Mundial, mas por razões que se prendem muito mais com o contexto de guerra, de crise económica e energética – e até mesmo pelo espírito pré-natalício – do que propriamente com a agenda dos direitos fundamentais ou das liberdades.
Talvez fosse muito mais oportuno e relevante se alguns dos atletas mais amados do mundo e ali presentes pudessem eles próprios chamar aa atenção para o desrespeito dos direitos fundamentais e com isso tentar alguma mudança. Manifestações e grandes discussões nas ruas de Lisboa, Paris ou Bruxelas têm, sinceramente, duvidosa eficácia.



Ora bem!É evidente que subscrevo esta tua opinião!Toda esta palhaçada sobre a defesa dos direitos humanos nas ruas das capitais europeias peca por tardia!Há dez anos quando foi conveniente para a FIFA e sus muchachos que o Qatar fosse fosse a escolha para este Mundial as vozes que se ergueram foram sabiamente caladas.A corrupção falou mais alto!
Lá pelo sul chama se a isto “ chorar sobre o leite derramado”
Sejam hábeis e usem o momento de forma pro activo!
Mas não me agrada ver recorrentemente governantes e chefes de estado com a primazia das bancadas VIP nos Europeus e Mundiais.Há tantos jovens grandes amantes e praticantes de futebol que nunca tiveram tão pouco a oportunidade de entrar num estádio!Por uma vez poder se ia alterar e criar algo diferente!