Opinião: Os donos do mundo
Nos dias de hoje, a diferença entre ricos e pobres agravou-se exponencialmente. As empresas envolvidas na pandemia, e que beneficiaram dela, como a Amazon, o Facebook, a Pfizer, e a Astra Zeneca, e a Moderna, dispararam os seus lucros para valores estratosféricos. Também os fundos agiotas que são donos delas, como a Blackrock ou a Vanguard viram quintuplicar os seus lucros, e não vi que lhes pedissem taxação das mais valias pornográficas. Na América a saúde é caótica pelo direito constitucional de não interferir nos ganhos das farmacêuticas. Há mesmo uma transição frequente entre políticos e essa indústria. Em Portugal, o PCP e o Bloco, que pedem taxação de lucros excessivos da energia, esqueceram de pedir o mesmo às empresas que ficaram milionárias com a pandemia.
A inflação cresce a par dos combustíveis ou cresce com o valor deles. A inflação, que nos assola agora, vai trazer o manto negro que destruiu José Sócrates e o PSD nunca referia: o juro da dívida, o custo do crude, o peso do desemprego e do crédito mal parado. A demência bancária estava então em alta com o subprime, com os golpes de controle da bolsa e das empresas. Meninos sentados em Wall Street ou na city de Londres brincam com as nossas vidas e jogam as nossas poupanças. Eles, lá longe, sobem e descem o valor das matérias primas, criam necessidades, e assim nos convertem em peões de um tabuleiro monumental.
O que distingue os donos do mundo tem de ser a sua formação ideológica pois o dinheiro é inodoro, insalubre, incolor, sem família, sem sentimento. As pessoas fazem a diferença, a cidadania da entrega, da dádiva, da sustentação colectiva é essencial para produzir as ondas sociais que levarão a uma mudança do processo remuneratório. O que conduz às revoluções é a miséria, a fome, a incapacidade de responder mesmo trabalhando, mesmo tentando poupar. Agora vivemos a mesma história com outras peças.
Surge a criptoarte, surge a blokchain para construir dinheiro virtual com limites normalizados pela estrutura das redes de computadores, surgem os Non-fungible Token, (NFT), desenvolve-se a rede ethereum onde se guardam os NFT, surge um nicho de jogo para os que disponibilizam um pouco do que ganham, mas num espaço onde os grandes são de novo donos e senhores da subida e descida das cotações e do valor dos produtos. Novos Monopólios abrem-se na mesa dos muito ricos e os que lhes servimos a mesa cada dia ficamos mais longe. Também estes monopólios são fantasias e abstracções que conduzirão a novas crises e outras falências. É o ciclo infernal dos predadores que deve ser contido pelos cidadãos. Esta é realmente a nova esquerda e direita – a outra já morreu.


