Opinião: Tudo tem um tempo… e outro tempo virá!
O que ficou ou ficará do 19 de Julho de 1975?
Apenas um acontecimento que passará despercebido na “História de Portugal”, ou um ensinamento decisivo que fortalecerá o conceito de liberdade individual? De que modo este dia encerra um “caminho para a escuridão”? De que forma e de igual modo devolve aos cidadãos a sua liberdade?
O 19 de Julho de 1975 não foi um acto heróico.
Foi tão só a vontade de um “bando de malucos”, de socialistas no masculino e no feminino – que ontem, como hoje, acreditam no futuro de Portugal – de rumar a Lisboa respondendo a um apelo de Mário Soares para defender na rua a liberdade de um país que, a sair de uma ditadura, estaria prestes a cair noutra. De obscurantismo, em obscurantismo!
Foi um acto de cidadania, porquanto a liberdade é um “bem” a preservar. Porque existirá sempre o contraditório, o que em ditadura é mais do que uma improbabilidade…uma impossibilidade!
Apesar das muitas contradições, de muito má governança que “atravessou” todos os partidos políticos e todos os governos, ainda que uns pior do que outros, Portugal continua a fazer o seu percurso democrático, mantendo-se ao lado das democracias contra as ditaduras!
Com que direito alguém se arroga a responder por milhões de pessoas? Com que direito e em nome de quê, alguém invade um país soberano e o tenta destruir e à sua história?
Deveria ser impossibilidade!
Vamos viver, todos, o mundo inteiro sem excepções, uma violenta crise provocada por um ditador e arruaceiro a quem a europa democrática “deu leite ao invés de cortar a cabeça”.
Vamos todos sofrer com a acção de maus políticos europeus.
Os militantes do PS e os socialistas reivindicam para si esse momento de combate a uma nova ditadura, cientes que só eles poderiam liderar a contestação a um bando a soldo de potências estrangeiras que desejavam anexar o país e a sua história.
Cá por casa, a coisa não está famosa!
No PS não existiu, não existe, nem existirá delito de opinião. Não valerá apena utilizar palavras como traidor, ou sinónimos, quando a opinião é contrária.
Há claramente um déficit de pensamento político. Saber, a todo o momento, qual a melhor estratégia para fazer valer um ponto de vista.
Um dirigente desportivo, tal como outros actores da política, disse que “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”!
Na verdade, sem o sabem e muito menos o calcularem, estavam a ter razão. É que o “tempo” voa, os factos sucedem-se por efeito de uma comunicação cada vez mais veloz e ninguém poderá nem deverá ficar agarrado a estereótipos – “padrão estabelecido pelo senso comum e baseado na ausência de conhecimento sobre o assunto em questão” -. a um passado recente, bom e eficaz, mas que no futuro sofrerá alterações.
Após uma humilhante derrota autárquica, os actores deveriam deixar a outros a correcção da estratégia. Mas não. Mantêm-se, quais e tais lapas, como se o Povo que agora lhes deu a nega, amanhã lhes dê o aval.
Esqueçam lá isso!
Como se costuma dizer, o “Povo pode não saber o que quer, mas sabe bem o que não quer”!
Arejar a cabeça é uma medida que cada um deve ter para si.
Tudo tem um tempo…e outro tempo virá!


