Opinião: Nova Europa
Dia 16 de Junho presenciei um acontecimento histórico na Assembleia da República, um momento de grande simbolismo, de profundo significado político e afirmação dos valores da Democracia Europeia. Roberta Metsola, foi a primeira Presidente do Parlamento Europeu a participar num debate parlamentar da Assembleia da República Portuguesa.
Num discurso que recentrou prioridades, afirmou que é possível reforçar as bases do projeto comum de uma forma sustentável e socialmente justa, alertou para a necessidade de aproximar a tomada de decisão das pessoas e reconheceu, abertamente, que a Europa não é perfeita e partilha de muitas das frustrações dos seus procedimentos. Mas pode ser melhor se agirmos em conjunto, se continuarmos a ouvir as pessoas e a apresentar objetivos tangíveis.
Não são os desafios atuais que vão definir a nossa era, mas sim a nossa resposta. Não só é importante a forma como abordamos os problemas, como também importa, apresentar resultados honestos de forma transparente, tanto nos fracassos como nos êxitos.
Elogiou o espírito europeu e solidário de Portugal ao estabelecer um paralelismo com a resiliência e capacidade de Portugal saber ultrapassar melhor do que ninguém os desafios impostos pela geografia e ser hoje uma importante plataforma de comércio, cultura e diplomacia global para a Europa.
Metsola, referiu ainda que entramos numa nova era com muitos riscos e desafios para a União Europeia, sendo a mais imediata a invasão ilegal por parte da Rússia na Ucrânia e as consequências da guerra, como a inflação e a crise energética.
Lembrou a legislação europeia sobre a Inteligência Artificial (aprovada à dias), considerada a mais avançada do mundo e que nos permite ser líderes mundiais em inovação digital, com base nos valores da UE. “No futuro, vamos precisar de limites claros e constantes para a Inteligência Artificial. Vamos incentivar a inovação, mas há uma coisa que não vamos comprometer: sempre que a tecnologia avança, deve ser acompanhada pelos direitos fundamentais e pelos valores democráticos”. Sobre este assunto Maetsola alertou para uma nova forma de ameaça híbrida que temos de enfrentar em conjunto, porque uma nova era começou e com ela uma ameaça de atores e regimes antagónicos que usam a tecnologia para minar as nossas democracias.
Sobre as questões ligadas aos fluxos migratórios, Metsola disse ser urgente um acordo sobre os dossiers da migração e do asilo: “Estou convencida de que podemos encontrar um caminho que respeite as fronteiras e que seja justo e humano com aqueles que precisam de proteção, mas que seja firme com aqueles que não são elegíveis e que seja forte contra os traficantes que exploram os mais vulneráveis”.
O debate na Assembleia da República serviu também para deixar notas sobre um futuro que não queremos viver a qualquer custo. Os riscos das alterações climáticas não podem ser ignoradas, é fundamental acautelar o impacto económico e social das nossas decisões e explicar aos cidadãos porque estamos a promover a transição para uma economia verde. As medidas económicas europeias só podem ser coroadas de êxito se o crescimento for sustentável e acautelar as futuras gerações.
A um ano das eleições europeias, Roberta Metsola deixou uma mensagem aos portugueses: “A Europa importa. A sua voz, a sua escolha importa. O seu voto importa. Estou aqui para apelar às pessoas – em particular aos Jovens – a não cederem ao conforto do cinismo fácil, a não aceitarem um recuo tranquilo para os extremos e as franjas políticas”.
O nosso compromisso com a Democracia Europeia – de matriz liberal e forte cunho social – é total. E é por isso mesmo que, apesar de ser um fervoroso socialista português, me revejo e concordo no essencial com a mensagem política que Roberta Metsola partilhou na Assembleia da República! A liberdade política é a grande virtude dos regimes democráticos, Portugal é um deles e eu tudo farei, modestamente, para que continue a sê-lo…


